O meu fascínio e consequente vicio nos desafios de leitura tem evoluído exponencialmente desde Dezembro, altura em que experimentei o prazer do primeiro, e os passei a coleccionar como se fossem cromos ou postais.
Além de ser chamada carinhosamente (pelo menos espero que seja carinhosamente) de geek pela minha irmã, dei por mim a escolher os livros a ler em função dos desafios que tenho pendentes, só não achei que estava a precisar de intervenção porque quando saiu o Fair Game da Patricia Briggs, eu larguei tudo enquanto não o acabei, e quando vi o trailer do The Hunger Games, também larguei tudo e fui lê-lo porque queria ver o filme - ainda há salvação para mim :o)
Anyway, um dos desafios de leitura implicava ler um livro de biblioteca. O facto de não fazer ideia onde raio enfiei o meu cartão da biblioteca, e de não ir lá há pelo menos 10 anos, deixou-me temporariamente a pensar em como raio dar a volta à questão até que ta-dah, me lembrei da mini-biblioteca que o grupo onde trabalho tem, espalhado por vários edifícios. Resolvido o primeiro problema, passei ao segundo, que foi descobrir que raio de livro iria ler, uma vez que das vezes todas que fui ao espaço físico, nenhum título me chamou particularmente a atenção mas, uma vez que através da intranet temos acesso à bd centralizada e aos títulos todos, fui alegremente pesquisar. A escolha recaiu sobre o primeiro volume da colecção Rizzoli & Isles, que eu já estava cansada de ouvir "deverias ler que vais gostar", "experiementa ler, que deves gostar" - sim, o querido do M. quando resolve que eu sou capaz de gostar dum livro, não para de sugeri-lo até eu o ler. Uhmmm... espera... eu faço-lhe o mesmo...
Rizzoli & Isles deu origem à série com o mesmo nome - podemos vê-la na fox life - e eu até lhe acho piada, principalmente à interacção entre as duas, logo passar ao livro, estava com receio que acontecesse o mesmo que aconteceu com os livros de Vampire Diaries - depois de ver a série, em especial o Damon, nunca que os livros seriam bons o suficiente - isto, se eles fossem bons o suficiente, mas não, são tão maus ou piores que twilight ( E sim M., continuo a gostar de twilight, mas lá por gostar não quer dizer que não ache que são lixo literário).
O facto de conhecer a série de tv, e de gostar da mesma, acabou por fazer com que não me deixasse envolver tanto quanto deveria. Primeiro, porque a Maura Isles ainda não aparece neste livro, logo aí, fiquei logo com antipatia pela autora. Depois, vem a Rizzoli. Eu adoro a Jane na série, bem como o Moore e o Frost, e se estes dois estavam perfeitos no livro, a Jane Rizzoli irritou-me até dizer chega. Não propriamente ela, mas sim como a autora constantemente foca o facto de ela ser a única mulher num mundo de homens, quer em casa, quer no trabalho, quer no dia-a-dia. Nunca ouvida, nunca respeitada, nunca lhe sendo dada qualquer atenção ou mérito, e numa luta constante para ganhar o seu lugar merecido. OK, eu até percebia essa insistência se o livro fosse da década de 80, mas foi publicado em 2001, por amor da santa! Actualiza-te filha, actualiza-te! Nessa altura já havia alunas em engenheria informática, e mulheres nos marines!!!!
Após ultrapassar esses pontos negativos, e esquecendo a série, foquei-me no livro. O cirugião conta-nos a história dum serial killer, cujo m.o. consiste em atacar mulheres no próprio quarto, amarrá-las, mutilá-las, remover-lhes o útero, deixa-las a sangrar durante umas horas, tudo isto com a vítima consciente, amarrada à cama e amordaçada e por fim, corta-lhes a garganta, deixando uma cena do crime digna de entrar no se7en.
O livro está muito bem construído, permitindo-nos vários pontos de vista, quer dos monologos internos do assassino, quer de Rizzoli - a detective responsavel pelo caso, quer de Moore, o detective dos casos anteriores, quer da Dra. Catherine Cordell, a única sobrevivente (conseguiu libertar-se e matar o assassino a tiro) duma série de casos demasiado semelhantes aos casos actuais.
As personagens são complexas e completas. A história está bem contada, não tendo pontos em que nos perguntamos "como raio ela chegou aqui", tudo tem uma razão de ser, e o livro é rico em pormenores. Vou continuar a seguir a série.
Para quem gosta de thrillers e serial killers, recomendo vivamente.

A Rizzoli muda em termos de caracterização nos livros seguintes, a Maura vai aparecer no livro seguinte, no entanto não tem nada a ver com a da série de televisão, ainda que eu goste das duas versões.
ResponderEliminarE mesmo em 2012, sim eu sei que mencionas 2001, há descriminação das mulheres em determinados ambientes de trabalho. Não te esqueças que o background da Rizzoli é uma família tradicional italiana onde ela abandona o papel relegado às mulheres para seguir a carreira de polícia. Eu já li a série até ao Mephisto Club, até agora o mais fraquinho.