terça-feira, 10 de abril de 2012

The Surgeon by Tess Gerritsen

O meu fascínio e consequente vicio nos desafios de leitura tem evoluído exponencialmente desde Dezembro, altura em que experimentei o prazer do primeiro, e os passei a coleccionar como se fossem cromos ou postais.

Além de ser chamada carinhosamente (pelo menos espero que seja carinhosamente) de geek pela minha irmã, dei por mim a escolher os livros a ler em função dos desafios que tenho pendentes, só não achei que estava a precisar de intervenção porque quando saiu o Fair Game da Patricia Briggs, eu larguei tudo enquanto não o acabei, e quando vi o trailer do The Hunger Games, também larguei tudo e fui lê-lo porque queria ver o filme - ainda há salvação para mim :o)

Anyway, um dos desafios de leitura implicava ler um livro de biblioteca.  O facto de não fazer ideia onde raio enfiei o meu cartão da biblioteca, e de não ir lá há pelo menos 10 anos, deixou-me temporariamente a pensar em como raio dar a volta à questão até que ta-dah, me lembrei da mini-biblioteca que o grupo onde trabalho tem, espalhado por vários edifícios. Resolvido o primeiro problema, passei ao segundo, que foi descobrir que raio de livro iria ler, uma vez que das vezes todas que fui ao espaço físico, nenhum título me chamou particularmente a atenção mas, uma vez que através da intranet temos acesso à bd centralizada e aos títulos todos, fui alegremente pesquisar. A escolha recaiu sobre o primeiro volume da colecção Rizzoli & Isles, que eu já estava cansada de ouvir "deverias ler que vais gostar", "experiementa ler, que deves gostar" - sim, o querido do M. quando resolve que eu sou capaz de gostar dum livro, não para de sugeri-lo até eu o ler. Uhmmm... espera... eu faço-lhe o mesmo...

Rizzoli & Isles deu origem à série com o mesmo nome - podemos vê-la na fox life - e eu até lhe acho piada, principalmente à interacção entre as duas, logo passar ao livro, estava com receio que acontecesse o mesmo que aconteceu com os livros de Vampire Diaries - depois de ver a série, em especial o Damon, nunca que os livros seriam bons o suficiente - isto, se eles fossem bons o suficiente, mas não, são tão maus ou piores que twilight ( E sim M., continuo a gostar de twilight, mas lá por gostar não quer dizer que não ache que são lixo literário).

O facto de conhecer a série de tv, e de gostar da mesma, acabou por fazer com que não me deixasse envolver tanto quanto deveria. Primeiro, porque a Maura Isles ainda não aparece neste livro, logo aí, fiquei logo com antipatia pela autora. Depois, vem a Rizzoli. Eu adoro a Jane na série, bem como o Moore e o Frost, e se estes dois estavam perfeitos no livro, a Jane Rizzoli irritou-me até dizer chega. Não propriamente ela, mas sim como a autora constantemente foca o facto de ela ser a única mulher num mundo de homens, quer em casa, quer no trabalho, quer no dia-a-dia. Nunca ouvida, nunca respeitada, nunca lhe sendo dada qualquer atenção ou mérito, e numa luta constante para ganhar o seu lugar merecido. OK, eu até percebia essa insistência se o livro fosse da década de 80, mas foi publicado em 2001, por amor da santa! Actualiza-te filha, actualiza-te! Nessa altura já havia alunas em engenheria informática, e mulheres nos marines!!!!

Após ultrapassar esses pontos negativos, e esquecendo a série, foquei-me no livro. O cirugião conta-nos a história dum serial killer, cujo m.o. consiste em atacar mulheres no próprio quarto, amarrá-las, mutilá-las, remover-lhes o útero, deixa-las a sangrar durante umas horas, tudo isto com a vítima consciente, amarrada à cama e amordaçada e por fim, corta-lhes a garganta, deixando uma cena do crime digna de entrar no se7en.

O livro está muito bem construído, permitindo-nos vários pontos de vista, quer dos monologos internos do assassino, quer de Rizzoli - a detective responsavel pelo caso, quer de Moore, o detective dos casos anteriores, quer da Dra. Catherine Cordell, a única sobrevivente (conseguiu libertar-se e matar o assassino a tiro) duma série de casos demasiado semelhantes aos casos actuais.

As personagens são complexas e completas. A história está bem contada, não tendo pontos em que nos perguntamos "como raio ela chegou aqui", tudo tem uma razão de ser, e o livro é rico em pormenores. Vou continuar a seguir a série.

Para quem gosta de thrillers e serial killers, recomendo vivamente.

1 comentário:

  1. A Rizzoli muda em termos de caracterização nos livros seguintes, a Maura vai aparecer no livro seguinte, no entanto não tem nada a ver com a da série de televisão, ainda que eu goste das duas versões.

    E mesmo em 2012, sim eu sei que mencionas 2001, há descriminação das mulheres em determinados ambientes de trabalho. Não te esqueças que o background da Rizzoli é uma família tradicional italiana onde ela abandona o papel relegado às mulheres para seguir a carreira de polícia. Eu já li a série até ao Mephisto Club, até agora o mais fraquinho.

    ResponderEliminar